MENSAGEM DO PRESIDENTE DA CND/BRASIL - SETEMBRO 2026
10/10/2026
Queridos irmãos diáconos, estimadas esposas e familiares.
Participei nO inicio do mês de setembro do 5º Congresso Vocacional do Brasil, promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O Congresso apresentou à Igreja brasileira uma oportunidade privilegiada de aprofundar a compreensão da vocação cristã e, de modo particular, das vocações aos ministérios ordenados. Com o tema “Comunidades Vocacionais: encontro, testemunho e missão” e o lema “Perseverantes e bem unidos, partiam o pão pelas casas” (At 2,46), o Congresso colocou a comunidade no centro do processo vocacional.
A revista ROGATE presente ao referido Congresso fez algumas entrevistas com os presidentes da Instituições vinculadas da CNBB, para uma edição especial em relação as vocações. A pergunta apresentada à CND foi a seguinte: Que perspectivas o senhor vislumbra para a vocação diaconal e vocações em geral a partir do 5º Congresso Vocacional do Brasil.
Assumi a presidência da Comissão Nacional dos Diáconos do Brasil (CNDB) em abril de 2023 com mandato até abril de 2027. Participo pela primeira vez de um Congresso Vocacional do Brasil (este já é o quinto) e foi possível perceber perspectivas bastante fecundas para a vocação diaconal, especialmente para o diaconato permanente.
O tema do Congresso “Comunidades Vocacionais: encontro, testemunho e missão”, e o lema “Perseverantes e bem unidos, partiam o pão pelas casas” (At 2,46), colocam a vocação não como projeto individual, mas como chamado que nasce, amadurece e se realiza na comunidade. O 5º Congresso Vocacional do Brasil oferece uma oportunidade para revalorizar a vocação diaconal dentro de uma Igreja verdadeiramente vocacional, sinodal e missionária. A grande contribuição do Congresso não está apenas em estimular mais candidatos ao diaconato, mas em ajudar a Igreja a criar comunidades capazes de gerar, reconhecer, acompanhar, formar e enviar vocações.
Uma primeira perspectiva é a superação de uma compreensão meramente funcional do diaconato. O diácono não é simplesmente alguém que “executa tarefas” na paróquia. A lógica do Congresso aponta para uma vocação fundada no encontro com Cristo, na comunhão e no serviço. O texto-base afirma que a comunidade é lugar privilegiado de acolhida, escuta, discernimento e cultivo da vocação. Isso tem consequências diretas para o diaconato: o futuro diácono precisa ser reconhecido e acompanhado dentro de uma comunidade concreta, onde sua fé, sua vida familiar, seu compromisso profissional e sua capacidade de servir possam ser discernidos.
A perspectiva que se abre é a de um diaconato cada vez mais identificado com três dimensões inseparáveis: serviço da Palavra, na evangelização e na catequese; serviço da Liturgia, que ajuda a comunidade a celebrar a fé, e serviço da Caridade, aproximando a Igreja das pessoas, sobretudo dos pobres, enfermos, necessitados e daqueles que vivem nas periferias existenciais. Também uma perspectiva importante para o futuro é desenvolver uma espiritualidade diaconal familiar: esposa e filhos devem ser vistos como parte concreta do ambiente no qual o chamado é discernido e vivido.
A Igreja brasileira está sendo chamada a uma cultura vocacional na qual cada comunidade se torna espaço de encontro, testemunho e envio. Nesse contexto, o diácono pode assumir uma função estratégica: ser ponte entre a Igreja e os ambientes onde a Igreja muitas vezes chega com dificuldade. Essa leitura é especialmente coerente com o caminho que a CNBB vem propondo: uma Igreja na qual a cultura vocacional envolva todos os batizados e na qual os ministérios ordenados estejam integrados à missão evangelizadora da comunidade.
Diante dessas perspectivas, pode-se delinear um perfil de diácono para a Igreja no Brasil nos próximos anos: Um homem de oração, profundamente inserido na comunidade, esposo e pai quando chamado ao diaconato permanente, formado integralmente, próximo dos pobres e sofredores, servidor da Palavra, da Liturgia e da Caridade, capaz de dialogar com o mundo contemporâneo e enviado para construir pontes entre a Igreja e as pessoas.
Esse perfil desloca o centro do diaconato do poder para o serviço, da função para a identidade, do templo para a missão e do indivíduo para a comunidade.
Diacono José Oliveira Cavalcante (Cory)
Presidência da Comissão Nacional de Diáconos Permanentes do Brasil
