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"DIACONADO EM UMA IGREJA SINODAL" É UM CHAMADO À CO-RESPONSABILIDADE

24/03/2026

20 de março de 2026

Janaina Santos Capa

O padre Luca Garbinetto, professor em Cebitepal, reflete sobre o papel do diaconado na renovação da Igreja e sua relação com a sinodalidade. Com base em sua experiência pastoral e acadêmica, nesta entrevista ele explica os desafios atuais desse ministério e sua contribuição para uma Igreja mais co-responsável e missionária.

* Como padre, por que seu maior foco de estudo está nos diáconos?

Minha história pessoal e minha biografia vocacional são a primeira motivação. Pertenço a uma congregação missionária fundada pelo Padre Ottorino Zanon, que mesmo antes do Concílio Vaticano II percebia a complementaridade entre padres e diáconos na vida pastoral. Embora eu tenha sido chamado ao sacerdócio, sempre tive uma forte sensibilidade diaconal e o desejo de compreender melhor a presença dos diáconos dentro do ministério da ordem e da vida pastoral. Minha pesquisa sobre o diaconado na Igreja latino-americana e a convivência com muitos diáconos, celibatários e casados, me convenceram da riqueza dessa troca ministerial pela renovação da Igreja.

IDENTIDADE CARISMÁTICA E PROFÉTICA

* Pela sua experiência ao refletir sobre o ministério ordenado, quais são os principais desafios do diaconado hoje?

O primeiro desafio é conhecer o diaconado em sua identidade carismática e profética. É necessário que a Igreja reflita sobre si mesma a partir desse ministério, descobrindo que pode renovar relacionamentos dentro das comunidades e também o modelo da Igreja. Isso exige uma formação mais profunda dos líderes eclesiásticos – bispos, padres e diáconos – e um maior conhecimento da vocação diaconal dentro das comunidades. Ainda existe uma visão muito clerical e vertical da Igreja que não responde totalmente à perspectiva do Concílio Vaticano II.

* O que significa entender o diaconado em uma chave sinodal?

Significa entendê-la em relação às outras vocações da Igreja. A identidade de cada pessoa é definida com base nos relacionamentos com os outros, algo que aprendemos tanto das ciências humanas quanto da identidade trinitária de Deus. Por essa razão, falar de uma Igreja sinodal implica relações concretas e vivas de co-responsabilidade. Isso exige um processo de maturidade humana e espiritual e uma compreensão da autoridade como serviço compartilhado, não como uma concentração de poder.

PRESENÇA LOCAL E CO-RESPONSABILIDADE

* Como o ministério diaconal pode fortalecer uma Igreja mais co-responsável?

Muitos diáconos são homens casados e trabalhadores, o que os aproxima da experiência leiga. Isso nos permite reconhecer uma forma diferente de viver o ministério ordenado e ajuda a Igreja a olhar além dos limites do templo. A co-responsabilidade entre padres e diáconos pode ajudar a compartilhar as responsabilidades pastorais e fortalecer a dimensão missionária da Igreja. Além disso, a presença dos diáconos ajuda os pobres a se reconhecerem como protagonistas da jornada eclesiástica e não apenas como beneficiários de ações de caridade.

* Como essa formação pode impactar a organização pastoral na América Latina?

O estudo do diaconado deve ser integrado à reflexão pastoral da Igreja. Os diáconos estão presentes nas comunidades locais, nos espaços de tomada de decisão e em órgãos de co-responsabilidade, juntamente com os padres. Na América Latina, onde há grandes periferias sociais, uma presença diaconal é especialmente importante para incentivar os leigos e todos os batizados a se comprometerem com a construção de justiça, paz e relações mais fiéis ao Evangelho.

UM ESTILO RELACIONAL

* Quais dificuldades existem na implementação da sinodalidade?

Em muitas culturas há uma dificuldade compartilhada: a sinodalidade exige um estilo relacional que exige maturidade pessoal. Compartilhar a jornada e exercer autoridade de forma mais participativa exige energia, habilidades e uma atitude interior profunda. Além disso, os processos espirituais dentro das comunidades às vezes são fracos. Por isso, é importante ter guias capazes de acompanhar os processos de discernimento espiritual. Também devemos sempre ter em mente a questão do abuso, que revela dificuldades relacionais, imaturidade humana e uma falsa compreensão da vida espiritual que ainda pode estar presente dentro da Igreja.

O curso sobre diaconato, conduzido por Luca Garbinetto, começou em 17 de fevereiro e continuará até 28 de abril. Com o patrocínio do Dicasteiro para o Clero, a formação oferece uma visão teológico-pastoral sobre o ministério diaconal no horizonte de uma Igreja totalmente ministerial e sinodal.